Julien Green, Paris, Tinta-da-China, Lisboa 2008.
Desde há vários anos o tempo que tenho perdido em Paris fez-me descobrir uma alma da cidade que pensei não existir; porque a alma duma cidade, tal como a alma dum povo, é uma coisa complicada que só escavando mais fundo se dá a conhecer. É algo que nenhum turista acidental poderá vislumbrar, porque se esconde nas cumplicidades do dia-a-dia e em vivências que uma relação superficial dificilmente deixa entrever. Sim, "a alma de uma grande cidade não se deixa apreender facilmente". Aprendi isso também quando vivi em Lisboa, embora, por razões de natureza temporal e não só, tenha entrado mais profundamente na alma de Paris do que na de Lisboa. Ainda assim, nada me pareceu mais intrigante do que olhar Lisboa do Castelo e corroborar que sim, que Lisboa tem uma luz mágica que não vemos em mais lado nenhum! De qualquer forma gosto de pensar, como um amante "naïf", que Paris está à minha espera... Hélas!
Foto: Bereshit

